Tóquio 2020: o abstrato toma forma

Os emblemas dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 foram revelados recentemente e vem sendo alvo de duras críticas. Algo normal para uma identidade visual tão simples e ao mesmo tempo tão desconstrutiva.

emblema Toquio 2020

Esses são os emblemas oficiais dos jogos olímpicos de Tóquio 2020, lançados no final de julho. Não os entendeu muito bem? Eu tampouco, por isso fui buscar as explicações oficiais.

Segundo o Comitê Olímpico primeiro símbolo ilustra a letra “T” que neste caso representa “TOKYO, TOMORROW E TEAM”. O paraolímpico ilustra o sinal “=” que representa a igualdade. O círculo - presente em ambos os emblemas – representa um mundo mais inclusivo.

O preto - que é a combinação de todas as cores - representa a diversidade. E o vermelho, o poder de cada coração que bate. {Vale lembrar que também é o sol que da bandeira japonesa}


A ESSÊNCIA

Quando o mundo se juntar para Tóquio 2020, nós vamos vivenciar a alegria de nos unir como um time. Ao aceitar todos do mundo como iguais, nós vamos aprender o completo significado de ‘ser um só’. Os emblemas de Tóquio 2020 foram criados para simbolizar o poder dessa unidade.” Site Oficial Tokyo 2020.
A identidade da marca e o logo em si foram criadas pelo designer Kenjiro Sano, que teve o seu trabalho escolhido dentre outros 104 concorrentes. O designer é conhecido no país pelos seus trabalhos bem humorados e atua em diversas áreas criativas. Já ganhou diversos prêmios no Japão e no exterior também.

Kenjiro Sano works
Trabalhos de Kenjiro Sano


O PROBLEMA

Apesar de não gostar da cartela de cores confesso que é interessante encontrar algo que nade contra a corrente gráfica dos eventos anteriores, e que tenha raízes genuínas na arte japonesa.

logos olímpicos  2012 2016 2020

Emblemas oficiais olímpicos

Mas, depois de ver o vídeo explicativo, meu medo é que tenha ficado muito arte abstrata e pouco marca comunicadora.



Quanto à tipografia, me parece bem ocidental para todo o significado oriental {estão dizendo que é uma versão reformada da Clarendon}. Suas serifas retas acabam desapontando um pouco quem esperava a combinação de símbolos geométricos e fontes sem serifa. Talvez ela queira trazer um pouco mais de detalhe para o conjunto tão minimalista.

Mas o mais provável é que essa identidade seja vista como uma evolução saudosista à de Tóquio de 1964 do também artista Yusaku Kamekura {agora o amarelo ocre faz sentido, verdade?}. Afinal, os japoneses são muito devotos às suas tradições.


Tokyo olimpics


Mas o maior problema {e trunfo} da identidade reside na sua simplicidade, que dá abertura a diversas interpretações, ainda mais nesse mundo tão conectado hoje em dia.

Representar a diversidade por meio de símbolos geométricos que são padrões universais é bem complicado, e ordena-los de uma maneira inédita e inovadora é um trabalho bem difícil. Ainda mais para criar uma marca global como a dos Jogos Olímpicos.

PLÁGIO?

É quase 'de praxe' do mercado acusar uma marca de plágio em algum momento. E com os emblemas de Tóquio 2020 não foi diferente.

A justiça Belga vai mover um processo contra o Comitê Olímpico Internacional (COI). O designer Olivier Debie alega que o trabalho é uma cópia da marca do Teatro de Liege, lançada em 2013. Ele pede que o Comitê pare de usar o emblema.

Tóquio 2020 (lançada em 2015) e Teatro de Liege (lançada em 2013)

Nunca sou de dar muitos ouvidos à boatos de plágio, para mim boas ideias nascem simultaneamente em várias partes, e é normal que coisas saiam parecidas, ainda mais com toda essa exposição tecnológica que há hoje em dia. Mas acho que esse caso passou do bom senso. Realmente as marcas são similares: proporção, posição e quantidade dos elementos, montagem final, tipografia... enfim, quase tudo. Eu também estaria bem nervosa se fosse o designer Belga.

O Comitê insiste que investigou internacionalmente todas as marcas comerciais registradas antes de anunciar a arte final. O designer japonês afirma que jamais havia visto a outra marca. Palavra por palavra vamos ver quem ganha. {Pessoalmente acho bem difícil o belga ganhar essa, por mais que tenha razão.}

Ainda faltam 5 anos para os jogos, e muitas interações e desconstruções ainda serão feitas com essa identidade. Acredito que a melhorarão muito com pictogramas e combinações gráficas mais dinâmicas, deixando a marca um pouco mais comercial, sem perder sua delicadeza japonesa.

Como os japoneses dizem, "2020 está logo aí". Vamos esperar para ver.

O novo branding esportivo: case Copa América

Apesar do fracasso total – inclusive gráfico - da Copa do Mundo 2014, a nova identidade visual da Copa América nos mostra que ainda há esperança para um trabalho de qualidade na área e surpreende ao quebrar os padrões e nadar contra a corrente.

O mercado dos esportes movimenta milhões pelo mundo, e não é só em contratações e publicidade, as agências de branding também entraram de vez nesse jogo. Aqui no Brasil temos o exemplo da Tátil Design que criou a identidade dos Jogos Olímpicos 2016 e como referência internacional temos a portuguesa Brandia Central - cada vez mais especialista nesse tipo de segmento - sendo responsável por trabalhos de muita qualidade. Depois de assinar a criação das marca dos campeonatos europeus de futebol UEFA Euro 2012 (Polônia, Ucrânia) e UEFA Euro 2016 (França) a empresa apresentou seu mais recente trabalho esportivo, a marca da Copa América 2015 (Chile).

A Copa América é o mais antigo torneio internacional de futebol, existindo desde 1916. A competição acontece a cada quatro anos - sempre um ano depois da Copa – e é um dos maiores eventos desportivos do mundo, onde, desde 1993, participam 10 países Sul Americanos e mais dois convidados extras. Cada edição é sediada em um países membros da CONMEBOL e o anfitrião do ano que vem é o Chile.

logo copa america 2015

Novo logo da Copa América Chile 2015

Trabalhar com identidades visuais de eventos desportivos significa fazer uma releitura da marca principal baseada na cultura do pais sede. Os valores principais devem permanecer e são revestidos por elementos culturais, agregando um novo conceito para a marca em questão. No caso da Copa América essas releituras eram muito sutis a cada edição, mantendo a mesma linha fria e exata de raciocínio.

logos copa america


Versões antigas da Copa América


A nova identidade da Copa América 2016 marca uma total quebra de padrões para o evento. Sem medo de ousar e primando pelo bom design o logo está revestido de elementos culturais típicos do Chile. Se trata de pensar além da caixa e incorporar elementos emocionais de uma forma visual, conferindo significado à marca. Os valores básicos da Copa América estão presentes: o nome, a bola de futebol e a bandeira do país, mas de uma forma mais experiencial e menos descritiva. Essa é a grande tendência do design de marcas atual.

novo logo copa america
copa america 2015

Referências e conceitos utilizados para criar a nova identidade

A estrela da bandeira nacional é retratada dentro de outra estrela de oito pontas, onde cada uma representa uma cidade sede. Os ícones externos representam: superação, paixão, triunfo e celebração. As linhas cruzadas lembram o desenho do tradicional “kultrun”, um antigo tambor tribal chileno.

A tipografia também foi muito bem trabalhada, ao trazer tipos mais pessoais e ao desequilibrar a importância das informações, deixando Chile 2015 como elemento mais importante do que Copa América. Além disso eles mesclaram tipos manuscritas da identidade principal com tipos retos da identidade secundária (eu vejo já um pouco de excesso, mas não é algo que comprometa a resto do trabalho).

copa america 2015

Identidade visual para as cidades sede

Enquanto todas as outras marcas da Copa América são desmotivadas e de fácil esquecimento essa traz pregnância para durar até o próximo torneio, em 2019. O potencial de engajamento com o torcedor também é visível, pois boas marcas desportivas devem gerar uma conexão emocional forte, para poder inspirar e trazer o torcedor para o evento. Ponto para a Brandia Central!


Numa época onde o “menos é mais” e o flat design domina a cena é inspirador ver um trabalho diferente - com muitos elementos, cores e gradientes - que deu certo e ficou realmente muito bom. Uma marca que não teve medo de quebrar padrões e se auto afirmar em um mercado onde grandes nomes perdem sua identidade em prol de “um perfil mais tecnológico”.
A nova identidade da Copa América reflete a essência do design para o mercado desportivo: emoção, diversidade e um relacionamento apaixonado com o publico. 
Identidades UEFA EURO feitas também pela Brandia Central

Cada tipo de mercado pede um tipo de comportamento, e cada empresa, entidade ou evento tem suas características, por isso cada case de branding também é único. Não se trata de uma receita de bolo onde certos elementos são obrigatórios, no branding vale tudo, desde que reflita a verdadeira essência da marca e passe esses valores ao público – em forma de imagem, serviço, atitudes, publicidade entre outros.

Assim é o branding: da estratégia para arte.


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Mais do mesmo: o novo logo Netflix

Um tema que anda correndo na boca dos designers e internautas é o novo logo da Netflix, notado por alguns na semana passada. Antes que você venha dizer que não há nada diferente, realmente o site da empresa e o serviço continuam com a mesma cara, eles ainda não mudaram e ninguém sabe se vão mudar. Então onde está o novo logo?

Para quem não sabe a Netflix é a empresa que afundou a gigante Blockbuster ao inovar e oferecer um catálogo de filmes e séries pela internet. Atualmente a Netflix conta com mais de 44 milhões de assinantes em mais de 40 países.

Netflix, um gigantesco e inovador catálogo online

A empresa que era uma reprodutora de conteúdo resolveu então ser uma criadora e lançou séries originais, obtendo um estrondoso sucesso em duas – “House Of Cards” e “Orange Is The New Black” – que chegam à segunda temporada este ano. Pois aí entra em cena o novo logo Netflix.

A Netflix foi bem estratégica e comercial ao inserir o novo logo somente no trailer de divulgação da nova temporada de “Orange Is The New Black”. Resumindo, para saber a aplicação da nova marca Netflix a única opção é ver o vídeo.



Algumas pessoas assistiram notaram a mudança, comentaram e repassaram adiante. O resultado? Mais de 7 milhões de views. Bem mais que muitos dos outros vídeos do seu canal no Youtube. Ponto para a Netflix? Ainda não.

Apesar da boa estratégia de divulgação do seu conteúdo o novo logo não me parece tão bom assim, ele perde características marcantes da empresa em prol do “Flat Design”. Cada vez mais vejo empresas que possuem marcas icônicas se desfazerem de uma identidade fortemente construída para se apoiarem na simplicidade e universalidade. Genérico e entediante na maioria das vezes.

novo logo netflix
O novo logo Netflix, identidade x universalidade (Imagem: BrandNew)

Começamos outra vez a velha discussão - limpar e simplificar elementos é bom, mas até que ponto? A justificativa quase sempre é o melhor uso em plataformas multimídia e a democratização da imagem, o que em alguns casos faz sentido e realmente melhora a percepção da marca, mas em outros é apenas uma mudança sem necessidade para tentar se adequar à essa nova era tecnológica.
A sombra e o contorno me faziam pensar em teatros antigos e aludiam à era de ouro do cinema. É estranho perder isso agora que a Netflix é um fenômeno. Independente disso eu não creio que eles vão perder seu valor de marca pois não mudaram tanto, apenas ficaram planos.” Comentário de um internauta.
O antigo logo Netflix era atemporal, instantaneamente reconhecível e de fácil uso, não necessitava mudanças. Tudo parece um erro. Torço para que este logo esteja presente somente em alguns casos especiais e o resto da identidade permaneça igual, afinal eles ainda mantiveram o vermelho.

O que é mais importante? Ter raízes ou estar de acordo com as normas estilísticas vigentes? Para mim marcas são como pessoas. Se renovar, se manter jovial e corrigir imperfeições faz bem, mas cuidado pois plásticas podem viciar, te descaracterizar e te transformar num monstro. A autenticidade vale mais que a aceitação social.

Eu gosto mesmo é da Coca-Cola.


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Cadillac - Um anúncio e muita controvérsia

Mês passado a Cadillac, empresa de automóveis de luxo, lançou um comercial sobre o suposto "Sonho Americano" e gerou muita controvérsia com os valores defendidos. A marca resolveu enaltecer um mercado alvo em detrimento de outros e se posicionou claramente sobre os seus valores e suas convicções, sem meias palavras. Isso é um bom branding?


Comercial Cadillac, Poolside (com legendas em inglês) - se não abre veja aqui!

O que você achou? Antes de analisar e nos posicionar à respeito vamos tentar entender mais sobre a marca Cadillac para nos despirmos de pré julgamentos.

A HISTÓRIA
Cadillac Automobile Company é uma marca de automóveis americana que nasceu em 1902, em Detroit. Em 1909 foi comprada pela General Motors e fabricou a primeira limusine do mundo. Nos anos 20 a marca virou queridinha dos artistas de Hollywood e não demorou para que os magnatas, chefes de estado e mafiosos - Al Capone é um ótimo exemplo - aderissem à marca também, como sinal de status e nobreza. Nos anos 50 a marca criou o famoso "rabo-de-peixe", fator que influenciou toda a produção automobilística dos carros americanos da época. Em resumo, é uma marca com um histórico de boas inovações de mercado e com orgulho de ter influenciado na cultura e nos desejos capitalistas dos americanos.

OS VALORES
Durante anos de trajetória, a marca conseguiu criar uma imagem de qualidade (uso de excelentes tecnologias), luxo (fabricaram a primeira limusine do mundo) e design (pioneiros em inserir um designer para projetar ao invés de apenas engenheiros). 
Seu lema: "The Standard of the World" (O padrão do mundo)

O PÚBLICO
Pessoas com alto poder aquisitivo - empresários, chefes de estado, astros do cinema e esporte.


O anúncio vende uma idéia e não um produto, fixa conceitos da marca criando um resumo da imagem e história da empresa. É como se a marca Cadillac se personificasse perfeitamente na pele do ator Neal McDonough e falasse aos seus consumidores. E a mensagem é: trabalhe duro, seja persistente e adquira o tão sonhado status e prestígio social através de um Cadillac. Um exemplo de branding claro, objetivo e bem posicionado com os valores da marca. Ponto pra Cadillac? Ainda não.
Outros países, eles trabalham. Eles caminham pela casa. Eles param para um café. Eles tiram agosto todo de férias. Por que não somos assim? Por que não somos como eles? Porque nós somos loucos, porque acreditamos no trabalho duro, esse é o porque." Comercial Cadillac
O problema é que os valores de "American Way of Life" defendidos dizem respeito à uma filosofia do capitalismo já ultrapassada, velha e paralisada lá nos anos 90. Esses valores não movem mais o mercado como antes e muitos americanos já não querem ser representados por eles. Trabalhar duro, ser persistente e conquistar objetivos é uma ótima filosofia, mas defender um comportamento que inferioriza outras culturas e outros países é reforçar ainda mais uma cultura egocentrista que a maioria dos americanos tenta apagar.
Existem milhares de coisas para se celebrar por ser Americano, mas ser possuído por uma mania cega de se afundar em trabalho, comprar mais coisas e tirar sarro das pessoas dos outros países não é uma delas." The Huffington Post, jornal online americano
Provavelmente 10% dos americanos se sentiram representados nesse comercial - e esse é justamente o público da empresa - mas a grande massa não vive isso e não quer ser vista dessa maneira pelo mundo. O diretor do comercial Craig Bierley explica que a intenção da Cadillac é ser uma "marca provocativa", feita para pessoas que adquiriam o sucesso através de trabalho duro e querem se recompensar através de um carro luxuoso. Em resumo, a marca quis criar uma polêmica ética para chamar a atenção e obter mais publicidade, assim como o caso da Louis Vuitton na Rússia, detestável.

O ator Neal McDonough, muito trabalho, discriminação e ganância para se autopresentear com um Cadillac.

As marcas hoje devem ter um papel educativo e saber que são responsáveis por inspirar muito mais gente do que antes - devido ao caráter global que nos encontramos - e que o devem fazer de uma maneira positiva. Enquanto grandes marcas e grandes líderes se tornam transparentes e abraçam a diversidade de culturas a Cadillac se fecha no seu público, defende e pior, alimenta a ganância e a discriminação para com os demais estilos de vida.

Será que os "Lobos de Wall Street" se aposentaram? A Cadillac torce para que isso nunca aconteça.

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A marca participativa da cidade de Bologna

Com uma criação muito interessante de marca participativa a cidade italiana de Bologna (Bolonha) conseguiu chamar a atenção e fazer com que qualquer um possa se sentir parte de sua história. É o design de identidade visual levado a um outro nível, um exemplo de criatividade e criação conjunta de uma marca.

Bologna é uma cidade italiana jovem e cosmopolita, devido ao seu caráter universitário. A cidade possui cerca de 390 mil habitantes e é a sétima maior da Itália em termos de população. Uma cidade como as outras, com qualidades e defeitos, mas que surpreendeu com sua nova identidade visual, que esbanja qualidade e criatividade.


Um concurso (não vou entrar em detalhes) para criar a nova identidade visual de Bologna foi divulgado no ano passado, organizado Urban Center Bologna e endossado pela entidade oficial da cidade. Com um prêmio de 14 mil euros o concurso recebeu mais de 500 propostas, e em novembro de 2013 foi divulgada a identidade ganhadora - os criadores foram uma dupla da cidade de Trieste, Matteo Bartoli e Michele Pastore. Se você quiser veja todas as outras propostas aqui.
O problema, em estudar uma possível identidade visual para a cidade, é paradoxal: primeiro, inserir e trazer à tona na "marca" as múltiplas facetas e percepções infinitas da cidade que constitui o que é Bologna - e de outro lado, prover um sistema com suficiente força e coerência visual para ser percebido como tal, e ser uma ferramenta efetiva de conexão e melhoria tangível de todas essas qualidades." Matteo Bartoli, designer da proposta vencedora
A identidade visual foi implementada e divulgada no início desse ano, e desde ao primeiro olhar, apaixonou e engajou muita gente. O sistema é de complexa projeção, mas de fácil entendimento. Cada letra do alfabeto foi substituída por um signo gráfico e todos esses símbolos foram criados a partir de referências da cidade - mosaicos característicos, vitrais, paredes, o brasão da cidade, entre outros. Em resumo, você pode escrever o que quiser e a cada letra vai se sobrepondo à outra e criando um novo símbolo. Além disso você pode modificar a paleta de cores, as combinações são as mais variadas! Para quem não entendeu veja o vídeo abaixo e depois entre aqui para testar.

Vídeo explicativo de toda a complexidade da identidade visual

Explicação da construção e origens do alfabeto

O visual se torna uma tradução da narrativa e constrói um sistema gráfico em que todos os usuários podem contribuir para a marca. Os significados se multiplicam e as referências visuais também, ao substituir o alfabeto latino por sinais e signos característicos da cidade, e permitir que cada pessoa escreva e veja a marca à sua maneira. As sobreposições funcionam super bem e as transparências são impecáveis, independente da combinação.
Alguns exemplos de aplicativos, a diversidade de usos é gritante

A idéia e execução são ótimas mas o case não é inédito, pesquisando por aí descobri que Lisboa já tinha usado semelhante artefato para criar uma tipografia própria exclusiva, a LX Type. E a história é bem embasada, tem tudo a ver com os valores da cidade. Além disso eles relacionam cada letra com um monumento histórico, você se diverte e acaba conhecendo mais sobre a cidade, isso me pareceu fantástico e super promocional. Entra lá no site da LX Type e confere os detalhes.

É uma identidade visual criativa, mas para mim ela fica apenas nesse âmbito, não conseguindo representar com profundidade a cultura e os valores da cidade, já que no fim são gráficos sobrepostos que podem significar n coisas, inclusive aspectos que não tenham nada a ver com a cidade. Mas de qualquer maneira é uma marca diferenciada, que enche os olhos e engaja. Ela não se encaixaria em diversos mercados ou empresas, mas, para uma cidade que pode significar tanta coisa para tanta gente, cai bem apesar de tudo. Até agora é uma idéia criativa que gerou bom viral, resta inserir profundidade através de uma boa gestão de uso.


Alguns minutos no site e diversas palavras, muito divertido e interativo... mas será que tem profundidade suficiente para representar a cultura e os valores da cidade? Afinal, Bologna pode ser tudo e nada ao mesmo tempo.

Fica a ótima referência para você leitor, espero que tenha gostado! Se divertiu escrevendo nomes lá no site? Mostra aqui no blog! E se conhece mais algum caso de identidade visual nesse estilo participativo manda de sugestão que pode ser publicado.


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A história do macaquinho Kipling

A Kipling conseguiu criar e manter uma personalidade forte e única não apenas com detalhes específicos nos seus produtos, mas com um item diferente, seus macaquinhos. Muitas gente já teve um, mas você já parou para se perguntar de onde esses mascotes vieram?

Com quase 30 anos de mercado a Kipling é consolidada hoje em dia como grife fashion. Seu público - meninas, adolescentes e jovens mulheres - carrega bolsas e mochilas da marca para todos os lados e é fiel defensor da marca. Durabilidade, qualidade e funcionalidade são valores fortes da marca, mas o fator responsável pelo elo emocional com o consumidor são os macaquinhos que vem com os produtos.

Foto tirada por fã Kipling.

A Kipling nasceu em 87, na Bélgica, com o objetivo de criar mochilas de nylon confortáveis e funcionais. A ideia sempre foi aliar a qualidade com design e diversão. Hoje em dia a marca atua em mais de 60 países e aqui no Brasil possui 32 lojas exclusivas. Todo esse crescimento é reflexo de um bom produto - pré requisito básico hoje em dia para qualquer marca poder competir bem no mercado - aliado com uma personalidade forte, mantida desde a criação até hoje. Um bom exemplo de uma marca efetiva para o mercado e para o consumidor.

Qualidade não gera mais diferencial hoje em dia, personalidade sim. A Kipling é um bom exemplo de uma marca que mantém seus valores imutáveis desde sua criação até os dias atuais. (imagem tirada do site da marca)

O nome da marca foi criado a partir de uma palavra que não significasse nada em nenhuma língua, uma palavra neutra. Kipling surgiu como homenagem ao escritor britânico Joseph Rudyard Kipling, autor do livro "The Jungle Book", um clássico para crianças, com o seu mundialmente famoso personagem: o pequeno Mogli. A inspiração do nome também foi inspiração para o mascote da marca, o macaquinho Kipling, por ser um animal de comportamento irreverente e alegre, qualidades que a empresa queria passar.

O macaquinho Kipling é o item de associação mais forte do consumidor com a marca. Ele está presente em todos os produtos e possui uma etiqueta com seu nome próprio. Inicialmente só havia um tipo de macaquinho Kipling, que era facilmente reconhecido pelo seu tamanho e cores fortes. Mas, conforme a empresa evoluiu nas suas coleções de produtos, o mascote também evoluiu. Devido ao grande sucesso o macaquinho virou item de coleção, e é mudado a cada novo lançamento da empresa.


De item complementar os macaquinhos Kipling se tornaram estrelas. A cada novo lançamento são criados novos membros. Ultimamente a marca tem se associado a grandes nomes da moda, arte e design, para desenvolver o mascote, que hoje em dia é item de coleção.

Cada macaquinho tem um nome próprio, desta forma a Kipling personifica seus produtos e estreita o laço emocional com o consumidor, que procura o seu nome em cada mascote. O mais legal é que esses nomes não são escolhidos ao acaso. Cada nome é o nome de um funcionário da marca. Ou seja, a marca foi muito inteligente, e uma das pioneiras em endobranding, ao homenagear os seus funcionários e aumentar o engajamento deles com a empresa em que trabalham. Não apenas o consumidor, mas o funcionário também é importante para uma marca de sucesso.

Assim a Kipling nos ensina uma fórmula:

Produtos/serviço de qualidade + Personalidade forte e duradoura = Marca efetiva para o mercado

Por isso sempre friso que a personalidade da marca deve ser estabelecida inicialmente, espalhada a todos que interagem com a empresa e, o mais importante, ser cumprida e ser verdadeira no cotidiano de todos. Fica a dica!

O post hoje foi escrito em homenagem à blogueira Tatiana Munhoz, amiga do EsttudioG e correspondente Kipling.

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Sua marca vai falir

O mercado se torna cada vez mais competitivo, brutalmente competitivo. Durante décadas muitas marcas se esforçaram para obter destaque e, com muito suor, chegaram ao topo de seus nichos. Mas hoje a maior parte delas caiu, faliu, sumiu. O fracasso é um elemento inevitável para a maioria das marcas.

A incrível diversificação do mercado e o fenômeno do "instant trustaceleram, e muito, o desaparecimento das marcas, principalmente daquelas que não melhoram sua eficiência, que não inovam e que não são transparentes. O consumidor está exigente e mais do que nunca dita as regras do jogo, quem não cumpre... está fora.

Eu vou falir, você também, provavelmente. Mas hoje em dia a falência não significa necessariamente o fim. Entenda: muitas marcas acabam migrando de nicho, se reinventam, fundem com outras, dão um lugar a um terceira. O mercado é dinâmico, as relações são rápidas e as marcas se adaptaram a isso, nascem e morrem igual gente no mundo. Grandes marcas, como o Facebook, o Google e a Nike já sabem disso faz tempo, e tratam de estar presentes em nichos de mercado diversos, para se segurar lá no topo e garantir o plano B.

Antes, estar no topo era sinal de segurança. Hoje chegar ao topo não é tão difícil, o difícil é permanecer lá. 
Mas a falência não é o fim, é o começo de algo novo.

O setor de eletrônicos e tecnologia é o que mais sofre perdas atualmente. Depois de alguns anos competindo com Apple e Amazon, grandes empresas consolidadas já não se sustentam mais no mercado e podem fechar as portas. Quer saber quais são?

CONFIRA AS GRANDES MARCAS QUE PASSAM APUROS NESSE ANO:



OLYMPUS. Exceto pelos líderes Canon, Sony e Nikon, ninguém mais quer permanecer no mercado de câmeras digitais. As vendas mundiais desse produto caíram 18% em 2012 e decrescem cada vez mais. A marca Olympus, que detinha apenas 7% do mercado, tem grande probabilidade de desaparecer das prateleiras das lojas até o fim desse ano. Suas vendas mundiais decaíram de 5,1 milhões para 2,7 milhões de unidades, tudo pela concorrência acirrada com os smartphones.


DELL. A Dell fabrica muitos computadores a um preço muito barato, e só. Em algum momento de sua trajetória a marca parou de se focar no consumidor e se importou apenas com o preço. Pensamento ultrapassado de mercado que hoje em dia não funciona, pois preço baixo não é mais fator de diferenciação. Devido à sua má reputação com os consumidores a marca provavelmente dará adeus ao mercado ainda este ano. Há duas possibilidades: ou conheceremos uma Dell inteiramente renovada, ou ela irá para sempre.


NOKIA. A marca passou de herói a nada em apenas poucos anos. Em 2010 ela vendeu incríveis 450 milhões de aparelhos, superando a Apple em 10 para 1, mas em 2012 ela vendeu apenas 16 milhões, enquanto a Apple vendeu 125 milhões. Um erro de parceiro selou o fim da Nokia. A marca, que faz excelentes aparelhos, falhou ao trabalhar com o sistema operacional do Windows, um grande erro que ela percebeu quando o público não encontrou uma razão boa o suficiente para comprar seus produtos. Em 2013 a Nokia fechou o ano valendo apenas 10% do que ela valia há 5 anos.

BLACKBERRY. Essa é a história mais trágica de todas. Na sua época áurea a Blackberry foi a terceira maior fabricante de celulares, e inovou ao criar o Blackberry messenger. A marca e seu aparelho viraram símbolo de status entre os jovens, principalmente na Ásia e nos EUA. Mas tudo mudou quando surgiram novos smartphones e com eles o WhatsApp, tudo ficou mais bonito e mais fácil de usar, touchscreen. A queda foi grande para a empresa. Novos modelos e um novo sistema operacional foram lançados em 2013, você ficou sabendo? Nem eu. Isso já explica a situação delicada da empresa.



O EsttudioG lançou o selo "Apenas restou saudade - Descanse em paz" e vai coroar lá na  página do face algumas marcas que faliram e deixaram conosco a saudade! Corre lá para relembrar bons momentos e sugerir marcas para receberem o selo também!

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