Uma nova era: o novo logo GOL

A GOL apresentou essa semana várias novidades para sua marca. Novidades que vão desde o redesenho da identidade visual até alterações de produtos e serviços. Mas, mais importante que discutir o que mudou é discutir por que mudou.

A GOL realizou um evento para mostrar em primeira mão as novidades da marca. A volta dos snacks gratuitos, poltronas com mais espaço e internet sem fio para todas as aeronaves são algumas das propostas da marca. Tudo isso acompanhado, claro, de um redesenho gráfico do logo e das aeronaves. E - segundo os executivos - sem nenhum custo adicional nas passagens.

Mudanças estruturais de marca quase sempre vem associadas com mudanças gráficas para tornar o processo mais perceptível ao consumidor e para refletir essa nova era. Relembre o caso Iberia


Novo logo GOL (antes e depois)


O NOVO LOGO

O trabalho de redesenho ficou à cargo da agência AlmapBBDO (também criadora do comercial do Boticário “Toda forma de amor”), que é dirigida pelo publicitário Marcello Serpa, um dos diretores de arte mais premiado no Brasil. Talento e reconhecimento não faltam, mas o resultado gráfico final deixou a desejar na minha opinião. Apesar de gostar do ajuste de cores e do elo criado entre os “os”, a tipografia não convenceu. Saiu de traços dinâmicos para letras estáticas e até diria, um pouco infantis, algo não muito condizente com a postura digital vanguardista que a empresa está tomando.
“Este elo representa ainda a união, afinal, a Gol aproxima as pessoas a seus sonhos e destinos.” Marcus Sulzbacher, diretor de criação de design da AlmapBBDO

Aqui você pode encontrar mais detalhes. Porém, mais importante que discutir cores e traços é discutir o porque das mudanças, o que elas representam para a marca GOL, para seus clientes e para o mercado brasileiro. É enxergar os motivos dentro do contexto geral.

Nova aeronave (antes e depois)

Construção gráfica da cauda da aeronave (fonte: site voegol)

POR QUE MUDAR?

Para mim essas mudanças vieram como um “Fala que eu te escuto” da empresa, o que parece muito interessante nesse contexto de mercado que estamos vivendo atualmente.

A GOL sempre se viu como uma companhia aérea “low cost” , mas não necessariamente foi vista dessa maneira pelo consumidor. A marca criou experiências e serviços diversos para reduzir custos, que são característicos de companhias “low cost” mas não baixou os seus preços a ponto que os consumidores a percebessem como digna dessas atitudes.

O consumidor não se importa em não ter comida grátis em voos nacionais, ou ter um espaço reduzido entre as poltronas - quem nunca se rendeu à Ryanair - desde que isso implique em um preço mais baixo que à média do setor. Como a GOL não conseguiu aplicar um preço que justificasse o serviço “low cost” a experiência do consumidor fica com um saldo negativo. O resultado? Inúmeras criticas à marca.

Quando o serviço não corresponde à percepção de preço do consumidor o saldo final é negativo


As opções para deixar positiva essa equação – preço e serviço – eram basicamente duas: Ser realmente uma “low cost” e baixar ainda mais os preços, ou melhorar os serviços para justificar os preços mantidos. Eu imagino que depois de muito queimar os neurônios para resolver esse problema a marca chegou à uma boa resposta.
“Somos a mesma GOL, com o DNA de baixo custo, só que agora com mais serviços, produto superior e na vanguarda do setor.” Paulo Kakinoff, presidente da Gol

O RESULTADO

As mudanças foram claramente um passo diferente no caminho que a marca estava seguindo. A GOL resolveu melhorar seu serviço e sua percepção de marca e ainda inseriu diferenciais de mercado, como a internet sem fio em todas as aeronaves. As parcerias com a marca gogo (líder mundial em internet para aeronaves) e Mãe Terra (marca alimentícia brasileira de produtos naturais e orgânicos) foram estratégicas e impactarão positivamente sobre a imagem da GOL.

Parcerias positivas: Internet gogo e snacks Mãe Terra (fonte: Melhores Destinos)

A GOL, em suas palavras, quer ser reconhecida como a companhia aérea que mais oferece conforto aos passageiros no Brasil. E não como a companhia que oferece os menores preços sempre. Ela sabe que brigar por preço é muito importante mas que isso não é o principal, pois essa é uma briga desgastante e sem fim. O consumidor atual quer preço justo e também quer relações confiáveis com as marcas que consome.

Vou esperar atenta para ver como essas mudanças ocorrerão e se elas serão bem implantadas. Mas, desde já vou torcer para que essas mudanças também inspirem os concorrentes da GOL a melhorarem cada vez mais. E que assim possamos nos orgulhar cada vez mais nossas das marcas brasileiras.

Nova campanha GOL (fonte: site voegol)

A marca dos Correios é um plágio?

Em maio os Correios lançaram nacionalmente sua nova identidade visual, e eu opinei sobre esse caso aqui. Ao meu ver o resultado - apesar de abaixo do esperado - ainda teve um saldo positivo ao engajar funcionários e modernizar a imagem tão desgastada da empresa. Em termos de branding os Correios conseguiram acertar, mas e em termos técnicos de estrutura? Nem tanto.

As opiniões se dividiram - entre o público leigo a aceitação positiva do novo logo dos Correios foi quase total, já entre o público da área houve indignação devido ao trabalho decepcionante de uma empresa que ganhou muito por um projeto enorme. Realmente, se analisarmos por uma ótica puramente gráfica o logo apresenta dois problemas: uma tipografia mal construída e um símbolo genérico. 

Na parte de tipografia, um bom artigo foi o da Marina Chaccur, e eu tenho que concordar com ela em alguns pontos, principalmente em relação às falhas tipográficas do logotipo Correios. Por fim vemos letras mal planejadas e mal executadas, inaceitável para um projeto dessa magnitude. 

tipografia correios


Análises do logotipo feitas por Marina Chaccur

Quanto ao símbolo, quando o logo foi divulgado várias pessoas acusaram os Correios de plágio, enviando imagens de diversas marcas, algumas similares e outras nem tanto. A nova identidade dos Correios foi registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), isso significa que ela foi aceita como única e original e está protegida por lei. Mas isso não impede que reflitamos sobre possíveis coincidências gráficas existentes no mercado.

marcas iguais correios

Alguns exemplos apontados como similares à marca dos Correios

Dentre as acusações uma me chamou à atenção. Meses antes de lançarem a marca dos Correios uma empresa do Espírito Santo redesenhou sua identidade de forma muito semelhante. A Polimix Distribuidora apresenta um logo com setas similarmente posicionadas, se diferenciando apenas nos cantos retos e na cores. 

correios plágioComparação entre Correios e Polimix, marca lançada ano passado

O projeto da Polimix, realizado pela Life Brand, custou R$ 8 mil segundo a agência, já o dos Correios é a CDA Branding & Design e teve um custo divulgado de R$ 390 mil. Como uma diferença tão grande de orçamento pode gerar projetos incrivelmente similares?

Muita gente se pergunta, é plágio ou não? 
A minha resposta para essa pergunta é: não é plágio, é apenas genérico demais.
A gente não vai recorrer legalmente a um direito sobre isso. Por ser uma marca gráfica muito genérica - duas setas -, acho difícil afirmar que foi uma cópia. Não acredito que foi intencional" Igor Franzotti , sócio e diretor de criação da empresa Life Brand.
O genérico permite uma série de interpretações, uma série de histórias que podem ser contadas para explicar a mesma coisa, já que ela por si própria não diz muito. As setas podem significar “uma poderosa capacidade para conectar pessoas”, “proximidade, inovação, flexibilidade, dinamismo”, podem representar uma distribuidora, ou até mesmo alguma outra empresa. Ou seja, elas podem dizer muito e não dizer nada - esse é o problema e a solução do uso do genérico.


Correios x Polimix: um símbolo que pode significar uma gama de coisas

Uma marca como os Correios deve estar acima do genérico e de uma tipografia mal construída, é uma marca que deveria ter relevância, que aporta conceitos nacionais e que representa serviço muito importante para o país. É uma marca que custará ao todo R$ 42 milhões e, apesar de uma boa comunicação e estruturação de marketing, publicidade e endobranding, peca na parte gráfica ao investir no genérico.

A marca Correios cumpre sua tarefa, mas de forma totalmente burocrática e sem emoção. Não sei se por processos engessados da estatal ou por medo da agência de design, mas quando um projeto de R$ 390 mil pode ser equiparado em qualidade gráfica à um de R$ 8 mil, tem algo errado.

Mesmo sendo um redesenho da logo anterior faltou um pouco de ousadia e qualidade técnica para um projeto de tamanha magnitude.

Mas plágio não é.


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Mais do mesmo: o novo logo Netflix

Um tema que anda correndo na boca dos designers e internautas é o novo logo da Netflix, notado por alguns na semana passada. Antes que você venha dizer que não há nada diferente, realmente o site da empresa e o serviço continuam com a mesma cara, eles ainda não mudaram e ninguém sabe se vão mudar. Então onde está o novo logo?

Para quem não sabe a Netflix é a empresa que afundou a gigante Blockbuster ao inovar e oferecer um catálogo de filmes e séries pela internet. Atualmente a Netflix conta com mais de 44 milhões de assinantes em mais de 40 países.

Netflix, um gigantesco e inovador catálogo online

A empresa que era uma reprodutora de conteúdo resolveu então ser uma criadora e lançou séries originais, obtendo um estrondoso sucesso em duas – “House Of Cards” e “Orange Is The New Black” – que chegam à segunda temporada este ano. Pois aí entra em cena o novo logo Netflix.

A Netflix foi bem estratégica e comercial ao inserir o novo logo somente no trailer de divulgação da nova temporada de “Orange Is The New Black”. Resumindo, para saber a aplicação da nova marca Netflix a única opção é ver o vídeo.



Algumas pessoas assistiram notaram a mudança, comentaram e repassaram adiante. O resultado? Mais de 7 milhões de views. Bem mais que muitos dos outros vídeos do seu canal no Youtube. Ponto para a Netflix? Ainda não.

Apesar da boa estratégia de divulgação do seu conteúdo o novo logo não me parece tão bom assim, ele perde características marcantes da empresa em prol do “Flat Design”. Cada vez mais vejo empresas que possuem marcas icônicas se desfazerem de uma identidade fortemente construída para se apoiarem na simplicidade e universalidade. Genérico e entediante na maioria das vezes.

novo logo netflix
O novo logo Netflix, identidade x universalidade (Imagem: BrandNew)

Começamos outra vez a velha discussão - limpar e simplificar elementos é bom, mas até que ponto? A justificativa quase sempre é o melhor uso em plataformas multimídia e a democratização da imagem, o que em alguns casos faz sentido e realmente melhora a percepção da marca, mas em outros é apenas uma mudança sem necessidade para tentar se adequar à essa nova era tecnológica.
A sombra e o contorno me faziam pensar em teatros antigos e aludiam à era de ouro do cinema. É estranho perder isso agora que a Netflix é um fenômeno. Independente disso eu não creio que eles vão perder seu valor de marca pois não mudaram tanto, apenas ficaram planos.” Comentário de um internauta.
O antigo logo Netflix era atemporal, instantaneamente reconhecível e de fácil uso, não necessitava mudanças. Tudo parece um erro. Torço para que este logo esteja presente somente em alguns casos especiais e o resto da identidade permaneça igual, afinal eles ainda mantiveram o vermelho.

O que é mais importante? Ter raízes ou estar de acordo com as normas estilísticas vigentes? Para mim marcas são como pessoas. Se renovar, se manter jovial e corrigir imperfeições faz bem, mas cuidado pois plásticas podem viciar, te descaracterizar e te transformar num monstro. A autenticidade vale mais que a aceitação social.

Eu gosto mesmo é da Coca-Cola.


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